Homenagem ao meu pai Aléssio Somense




Você me conheceu numa situação adversa....não fui 

vista pela primeira vez num ultrassom ou mesmo na 

barriga da mamãe.








Você me conheceu pela primeira vez aos sete anos, e 


eu não tinha nenhum parentesco com você...






Você tinha tique toda vez que ficava nervoso, ficava 


piscando e coçando o nariz, e assim te conheci. 

Lógico o cenário que vias era para ficar nervoso 

mesmo...




Quatro crianças sujinhos comendo em pequenas 

bacias no chão em uma casa sem cuidados, pois uma 

lar sem a mãe fica desorientado.







A mãe, uma senhora(a mãe das crianças) estava 

vegetando em um dos cômodos da casa, acometida 

por um câncer fatal. 







E você, meu pai adotivo, junto de minha mãe, não 


teve preconceitos e nem medos...levou-me para 

casa, cuidou de mim, curou-me a saúde frágil, a alma 

e os medos.









 E deu-me educação moral, escolar e religiosa.








Formou-me e me fez ser o que hoje sou. 









Na juventude, lógico, tivemos situações 


problemáticas, mas com seu amor constante, nunca 

me abandonou e sempre me ajudou a superá-los. 






Fiz muita coisa que te magoou, mas os filhos tem que 


errar pra aprender não tem?










E hoje estou aqui prestando-lhe uma homenagem, 


por que você foi meu único pai! Fica com Deus onde 

estás, e acredite, a vida era bem melhor com sua 

presença: Aléssio Somense!



Posto aqui o motivo de meu afastamento do blog!
Como eu disse estava fazendo uma especialização em História pela Unicamp/ SEE/Redefor. Foi um curso de grande aproveitamento e especialização mesmo! Agora posto a síntese do projeto desenvolvido por mim nesses 12 meses de estudo. 


As festas juninas no Estado de São Paulo: continuidade, rupturas ou adaptações de contemporaneidade?
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM HISTÓRIA
REDEFOR
Autor(a): Zilda Palloni Somense


Palavras- Chave: Cultura popular - Identidade cultural - festas populares - folclore -  religiosidade.
Introdução

A proposta deste trabalho busca a construção de um novo olhar sobre as festas juninas feitas no Brasil da colonização portuguesa aos dias atuais, pois mesmo não sendo originárias do espaço brasileiro, ao serem incorporadas no território, receberam traços importantes da cultura indígena e africana.
  Buscaremos fazer uma releitura do tema, através de uma observação atenta à Festa de São João do distrito de Tupi, pertencente ao município de Piracicaba, São Paulo, revendo sua vivência, identidade, e significados na atualidade, na perspectiva da História Cultural.
  Relacionaremos a memória dos participantes da festa de Tupi, feita há 78 anos, a fim de analisar as possíveis transformações que ocorreram na realização da festa, pois acreditamos que estas festas constituem importante traço na cultura brasileira.
  A Festa Junina do São João de Tupi, foi construída historicamente por diversos atores sociais, apropriar-se de como se deu este processo, observando sua dinâmica e de como se deu a participação dos diversos sujeitos nesta trajetória, poderemos construir uma consciência sobre sua importância na construção da identidade brasileira, procurando mantê-las, modificá-las ou adaptá-las à contemporaneidade. 

Justificativa/Desenvolvimento

Iniciaremos nossas discussões sobre o tema Festas Juninas a partir da observação de sua importância em nosso calendário, que no mês de Junho, é realizada em todo o Brasil. Em escolas, igrejas, entidades, empresas e até em condomínios residenciais. Célia Toledo Lucena demonstra em sua obra A Festa (Re)Visitada: (Re)significações e sociabilidades (2007, p. 97)), a importância destas festas para a identidade de um povo como elemento que congrega, une e dá sentido a seu fazer histórico, momento no qual ele manifesta seus anseios e expectativas, suas tradições e devoções, um espaço onde pode extravasar suas ações do cotidiano.
  Através de entrevistas aos moradores de Tupi, que estão à frente da organização da festa atualmente, percebermos que esta passou por muitas adaptações para que tivesse continuidade nos dias atuais. Ao serem questionados da importância da festa para cada um, foi resposta unânime no sentido da festa ser propiciadora de uma identidade cultural, da continuidade das tradições dos seus antecessores e também por uma questão de fé, além de se fortalecerem enquanto comunidade.
  Atualmente as festas juninas vêm assumindo novas características devido ao crescente processo de urbanização. Transportaram-se as mesmas para os centros urbanos, mas de uma maneira superficial e sem clareza de seus elementos de origem. Em tupi, as adaptações de contemporaneidade, dadas a partir da forte influência de culturas externas à cultura local; bem como o crescente consumo de produtos industrializados durante a festa; a inserção no cardápio de novos produtos “não típicos”; novos estilos musicais; novos tipos de músicos (não apenas sertanejo); o término de práticas ancestrais como a lavagem da imagem do santo e a passagem pelo braseiro; podem colocar em risco a continuidade da festa? A absorção de novos elementos culturais causam danos à identidade cultural do povo de Tupi?

Considerações Finais

A escola que tem como função a construção de conhecimento e valorização da cultura brasileira deve revelar-lhes a origem, trajetória e adaptações que estas vêm sofrendo para manterem-se,  a fim de continuarem a ser este elemento de união, e identidade de um povo. E pelo menos dentro do espaço escolar não deve haver a continuidade de preconceitos contra a cultura caipira, sendo transformadora, educando seus alunos para que percebam o quanto são importantes suas manifestações artísticas e culturais, pois a apropriação destas nos muros escolares constrói uma consciência histórica, tornando os alunos agentes desta.  É necessário resgatá-las e se ainda assim ocorrer mudanças na maneira de comemorá-las que sejam feitas pelos participantes conscientemente e não por imposição.



Festa de São João do Distrito de Tupi



Convite para a festa de 2013: 79 anos de festa!




 Levantamento do Mastro Junino

Passagem pelo braseiro: quem tem fé não queima o pé

*Fotos do arquivo da Fundação ROMI- responsável Sr. Antonio Carlos Angolini


Referências Bibliográficas:

ARAUJO, Alceu. M. Poranduba Paulista. São Paulo: Escola de Sociologia e Política, 1957.
BEZERRA. Amélia, C. A. Festa e Cidade: entrelaçamentos e proximidades 1 Espaço  e Cultura, UERJ, RJ, N. 23, P. 7-18, JAN./JUN. 2008.
BRANDÃO, C. R. Os caipiras de São Paulo. São Paulo: Brasiliense, 1983a.
CAMPOS. J. T. Festas juninas nas escolas: lições de preconceitos. Educ. Soc., Campinas, vol. 28, n. 99, p. 590, maio/ago. 2007.
LIMA, Diana. “Anticalvinismo brasileiro”. In: Folha de S. Paulo (Caderno Mais!), 12/07/2009.
LUCENA, Celia T.A Festa (Re)Visitada: (Re)Significações e Sociabilidades. Anais2008 do Ceru 06. pmd. 34º Encontro Nacional do Ceru, 2007.
Prudente, H. A. Alimentos, bandeiras e folias: Elementos constituintes das festas subalternas. Sãp Paulo Eca-USP, 2010
SETUBAL, M. A. Vivências Caipiras Pluralidade Cultural e diferentes temporalidades na Terra Paulista. CENPEC, São Paulo, 2005.
______Terra Paulista: histórias, arte, costumes. p. 171. Manifestações artísticas e celebrações populares no Estado de São Paulo. CENPEC. Imprensa Oficial do Estado de São Paulo. 2004.
TRIGUEIRO. O. M. Apropriações do folclore pelos meios de comunicação de massa e pelo turismo. O caso concreto do São João de Campina Grande Paraíba, Paraíba, PB, 1993.

Isso é o Brasil: meus caros!

Uma ex aluna esta fazendo intercâmbio nos USA e tem que falar à sua família americana um pouco sobre o Brasil(politica,economia,sociedade).Ela pediu-me ajuda e eis que eu disse a ela: "Explica para eles que no Brasil, quem manda no poder são os partidos elitistas(alta burguesia aliada ao capital internacional), que o Brasil tem tido governos neoliberais desde a década de 90, com o Collor e depois dele, todos os outros foram neoliberais e rezam a cartilha do FMI para manter o desenvolvimento do Brasil. Explica para eles que devemos muito ao FMI e vencer suas cláusulas abusivas, força nos manter um juro nacional muito alto para pagar os juros da dívida externa, que vem sendo feita desde o Período Militar e todo ano ela aumenta. Explica que apesar do governo do PT(Lula e Dilma) ser dos trabalhadores, diga que não representam os trabalhadores verdadeiramente, explica que é mais um governo neoliberal, dependente do capital internacional para continuar o desenvolvimento nacional. E que com eles está no poder uma elite milionária, que não aceita nenhuma medida socializante, diga pra eles que o Fome Zero, é um projeto que não tira as pessoas da miséria, só dão bolsas e ajudas, mas que na verdade podem ser retiradas a qualquer momento pelo governo. Nada é incorporado aos salários ou se transforma em lei. Explica para eles que estes grupos que se revezam no poder, só tendem a se apropriar do dinheiro dos impostos(o Brasil é o país que mais cobra impostos do trabalhador no mundo) em corrupções no Congresso. Tentam e conseguem roubar o mísero dinheiro do povo trabalhador. Explica também que as leis são falhas e que é difícil mudá-las ou torná-las eficazes, pois quem as escreve(Congresso Nacional) não querem ser punidos pelas mesmas. Então, ela dificilmente funciona, e isto acaba provocando um sentimento nacional de impotência e em muitos, um sentimento de que a apropriação do dinheiro alheio é o meio mais eficaz de se tornar alguém na vida. Diga a eles que o Brasil não tem uma boa democracia representativa devido a erros de interpretação do que seja republica e presidencialismo, há uma enorme centralização política em Brasilia(Distrito Federal) e que aqui, não é uma confederação de Estados, e sim, Estados Federados com uma União centralizadora. Explica que os políticos que estão no poder foram os que tentavam tomar o poder dos militares nos anos 60,70,80, mas que não eram revolucionários verdadeiros, pois agora que estão no poder possuem os mesmos vícios daquele período(o de fazer da política uma grande máquina que beneficiem seus projetos particulares) Infelizmente este é seu e meu país, que gostaríamos de ver mudado, porém não vislumbramos mudanças positivas, ao contrário hoje percebe-se um crescimento da direita conservadora tentando mostrar que o autoritarismo ou mesmo militarismo é a melhor saída para a crise social que estamos vivendo." 



Estou pensando seriamente em um problema que vem crescendo à olhos vistos por mim, enquanto educadora: os jovens atuais tem apresentado uma nova valoração em relação a situações e comportamentos que até então, a sociedade vinha recriminando. Jovens de 13 anos, possuem conceitos bastante liberais em relação aos relacionamentos amorosos, a orientação sexual, ao papel da mulher na sociedade, ao casamento, à virgindade, entre outras questões de suma importância para a continuidade ou não da cultura brasileira nos moldes atuais. Trabalhando com meus alunos o texto: Curiosidades Brasileiras, do francês
Olivier Teboul, que faz uma série de observações sobre o modo de viver do brasileiro, e meus alunos, com enorme entusiasmo as ideias de Olivier sobre o Brasil. 
Mas no debate destas ideias vi muito de conservadorismo, como o caso do machismo, muito de liberal, como no caso dos jovens ainda morarem com os pais depois do 18 anos, os alunos concordam que devia-se sair da casa dos pais e começar a ter uma vida independente, também notei que quando o assunto é sexo, as mentes estão mais abertas e todos acham que um homem fazer os serviços domésticos, não faz menos homem, como explica Olivier. 
Os alunos concordam que o Brasil seja musical, mas para e eles apenas o RAP e FUNK são musicas boas, ficando bem claro, o pouco conhecimento que possuem sobre os vários estilos musicais que existem no mundo e no país. Eles pensam que novelas são mesmo mais importante que filmes, e que um livro bem mais. Eles estão divididos quanto a sexualidade e as orientações sexuais, há um grupo conservador que não aceita o homossexualismo e outros acham naturais os relacionamentos homoafetivos. Notei também que causou estranheza da parte deles o fato de os franceses estranharem programas religiosos na TV, porém eles não assistem e não gostam, acham errado pois é o dinheiro dos dízimos que mantém essas emissoras. 
Na questão do Brasil ora ser de esquerda, ora de direita, eles concordam que as ações de esquerda são ações de ajuda provisória e não ganhos na lei, portanto acham que essas ações também são de direita, já que não resolvem os problemas sociais. Eles dizem que gostariam de poder praticar atividades culturais nos domingos, mas o bairro não oferece, e por isso eles preferem ir aos shoppings(meus alunos são de periferia, bairro de trabalhador). 
Eles acham que o Brasil ter três padrões de tomadas é para dar dinheiro às empresas deste setor!!! 
Em nossa escola, há montes de Denilsons, Maicons, entre outros e eles acham que os pais quiseram por um nome bonito neles(reforçando que acham bonito apenas o que vem dos USA!)
Eles concordam com Olivier sobre a questão da combinação dos horários que se marcam e os que se cumprem, e acham um desrespeito, protestaram! Sobre a mulher acham que ela deve mesmo transar antes do casamento que é pra ver se vai dar certo e que se um menino é gay, porque nasceu assim, e concordam que os brasileiros são muito machistas e perceberam nas discussões que até eles mesmo são! 
No momento estou lendo No momento estou lendo com eles, o texto Curiosidades sobre a França, do engenheiro em informática que morou na França por três anos, Antônio Souza Neto, que inspirado na ideia de Teboul, escreveu suas impressões sobre a França. Seja um texto, como outro, os alunos estão amando e                   acham os dois textos super interessantes, criativos e observadores sobre as duas culturas distintas! E disseram em coro: Firmeza estes textos professora!

Deixo aqui o link dos dois textos e boa leitura!

http://olivierdobrasil.blogspot.com.br/2013/04/curiosidades-brasileiras.html

http://visaoregional.com.br/2013/04/16/blog-do-frances-olivier-teboul-inspira-brasileiro-a-dar-suas-impressoes-sobre-a-franca/








O conhecimento é a única arma contra a ignorância, a estupidez, a alienação, coisas que tem minado as relações humanas neste século XXI, em especial no Brasil, espaço que tenho a tortura de partilhar com muitos, "mas muitos" brasileiros que querem levar vantagem em tudo, mas não sabem que não se tira vantagem de nada quando há ganância, corrupção, falta de amor ao outro, de carinho, compaixão e respeito. O trânsito é um bom exemplo disso, pois quando vejo um motociclista ultrapassando pela direita, um ciclista com fone de ouvido e à direita do carro, muitas vezes em fila dupla, um ciclista fora da ciclovia, um caminhão usando seu tamanho para levar vantagem numa ultrapassagem, um ônibus cortando sua frente, colocando em risco sua vida e a dos passageiros...Enfim, tem todo tipo de situações que demonstram muito bem que o brasileiro quer sempre levar vantagem em tudo, que sabe bem seus direitos, mas não cumpre com seus deveres! Hoje as palavras com licença, por favor, obrigado, caíram em desuso, raros os jovens que nos abordam com a Srª. ou Sr. polidamente. Bom Dia ou boa noite já não se usa mais, não param quietos nem na hora da oração, ao contrário ouvem seus celulares com gosto musical que diz respeito apenas ao seu gosto e estilo, de forma que todos são obrigados a ouvir, em lugares coletivos como um ônibus, não favorecem a passagem numa calçada, não levantam-se para ceder lugar a um idoso em nenhum espaço, usam vagas de idosos e deficientes, sem o menor pudor! Pááááááraaaaaa este ônibus chamado Brasil que eu quero descer!!!  


TOQUE DE RECOLHER:
ACOLHER OU NÃO?
Como uma sociedade inteira pode aceitar
tal imposição? Isto vai contra a liberdade de
ir e vir da sociedade, direito consagrado após
a Revolução Francesa... E que faz parte das
cláusulas de nossa atual Constituição. Os estabelecimentos
comerciais que são obrigados
a fechar por perigo de atos de vandalismo deixam
de recolher o fruto de seu trabalho, porém,
os impostos do dia deverão ser pagos e
a segurança que os impostos pagam, por que
permitem tais ações?
O cidadão que paga impostos é obrigado a
se recolher, tornando-se um boneco marionete
em mãos criminosas, mas para tirar a sociedade
de circulação o trânsito virou um caos, as
escolas dispensando seus alunos por medo de
ações criminosas, o comércio fecha suas portas,
tudo para. Todo mundo correndo e querendo
se recolher no recesso do lar e, silenciosa,
a população assistirá a toda movimentação
dos que não se recolheram na “telinha”. Toque
de recolher signifi ca o sinal de que os soldados
devem voltar para o quartel, porém, dessa
vez não é dado pelo seu superior, mas sim por
rostos ocultos, recolhidos e anônimos, que utilizam
a falta de segurança no país para instalar
um caos social!
Pergunto-me: até quando isto vai acontecer
no Brasil? Lutamos tanto pelo fi m da ditadura,
que nos impunha o toque de recolher,
buscamos um país democrático, participativo.
A fim de quê? De aceitarmos hoje um toque
de recolher anônimo, oculto, conferindo ao
mesmo grande poder sobre a sociedade, que
se torna enfi m muito mais poderoso do que o
toque de recolher imposto para a sociedade na
década de 60. Nesta época havia uma motivação
de, apesar do toque de recolher, tramar
reuniões às escondidas para criar formas de
protestar contra aquele estado de coisas e por
fi m ao fi m das liberdades individuais. Hoje, o
que estamos fazendo? Resta-nos um protesto
no facebook, na página do jornal, mas quem
efetivamente pode mudar o caos instalado, senão
a segurança pública que vem sendo alvo
há meses de atos terroristas sem solução?!
Se as polícias, responsáveis pela segurança
nacional, vem sendo sendo dia a após dia
abatidas como carneiros por ações terroristas,
diante deste caos social, quem terá respaldo e
segurança? (Professora Zilda Palloni Somense,
Rio Claro - SP)

Obrigada a todos que acessam diariamente meu blog!

Estou trabalhando muito em meu TCC e por isso não estou podendo postar aqui com constância!

Mas espero voltar em breve e elaborar novos posts como resultante de minha aprendizagem!

Na vida aprendemos todo minuto, segundo, e estou louca para compartilhar com vocês! abraços a todos!

Profª Zilda!

Você recebe assédio moral?

Nem todos conhecem este termo: Assédio Moral. Vamos ver então o que significa. 

Assédio moral ou violência moral no trabalho não é um fenômeno novo. Pode-se dizer que ele é tão antigo quanto o trabalho.

A novidade reside na intensificação, gravidade, amplitude e banalização do fenômeno e na abordagem que tenta estabelecer o nexo-causal com a organização do trabalho e tratá-lo como não inerente ao trabalho. A reflexão e o debate sobre o tema são recentes no Brasil, tendo ganhado força após a divulgação da pesquisa brasileira realizada por Dra. Margarida Barreto. Tema da sua dissertação de Mestrado em Psicologia Social, foi defendida em 22 de maio de 2000 na PUC/ SP, sob o título "Uma jornada de humilhações". Nesta conceituação do site www. assediomoral.org. Quando o funcionário é exposto ao ridículo por não cumprir metas; quando o chefe  ou patrão  persegue o funcionário, quando o funcionário sofre pressão psicológica para a empresa conseguir resultados, são alguns exemplos. Acredito que até nós, funcionários publicos estamos passando pelo crivo do assédio em relaçao a bonificação por resultados anual. A Unidade que não atinge metas estabelecidas, e muitas das não não dependem especificamente dele, mas da escola num todo, é sentenciado com um bônus de valor ínfimo, como ocorreu este e a ano passado na rede estadual de ensino do Estado de São Paulo. Recebi este ano o valor absurdo de R$ 24,53. segue abaixo a cópia da folha de pagamento:

Demonstrativo de Pagamento

Nome
ZILDA PALLONI SOMENSE 








Líquido a Receber
24,53
Alteração de Exercício/ Cargo em Comissão
 
Legenda da Natureza (Nat.) 
N = Normal        D = Devolução     E = Estorno
A = Atrasado      R = Reposição


Estou retirando alguns dados a fim de manter preservados dados particulares e da instituição a que pertenço.


No ano de 2011 recebi este valor, e este ano de 2012...nada recebi! quando você pensa que a coisa está ruim, cuidado ela pode piorar....
Como fica complicado lutar contra o sistema, você acaba se calando diante do assédio moral!





Após leitura e análise do artigo de Leandro Karnal “Veias fechadas da América Latina”, uma análise do clássico de divulgação histórica da América Latina: As Veias Abertas da América Latina, do autor uruguaio Eduardo Galeano, um jornalista-escritor. Leandro Karnal, um historiador especialista em História da América, trouxe à tona um debate enriquecedor sobre a tese que Galeano desenvolveu: a questão de olhar a história da America pelo ângulo dos vencidos, e pelo ângulo da exploração externa em sua trajetória. O que mais intriga Karnal, não é tanto as ideias defendidas por Galeano na obra, mas sim o sucesso que a mesma alcançou entre os leitores.
 De acordo com ele, a leitura de Veias abertas da América Latina, vem de encontro com a maneira que os sul-americanos enxergavam sua própria história. Para provar sua tese, Karnal atenta primeiramente para o ano que a obra Veias abertas da América Latina foi lançada, estávamos no ano de 1971, período tenso na historia do Brasil e de toda a América - Os regimes militares pipocavam, e talvez esta uma grande razão para o sucesso da obra, pois ia de encontro com o modo de pensar dos leitores - segundo Karnal muito do sucesso da obra tem a ver com o pensamento da sociedade durante a Guerra Fria, de que os governos militares aliados do capital internacional estavam permitindo a exploração de nossas riquezas. Esta ideia de Karnal encontra ressonância com o pensamento de Peter Drucker “o verdadeiro comunicador é o receptor. Ao escrever é preciso perguntar-se: quem irá ler este texto?” Em que condições?”(Rogério Lacaz-Ruiz). Dessa forma, faz todo o sentido observar que o sucesso de Veias Abertas da América Latina, teve grande recepção, devido ao momento histórico vivido na América, o próprio nome da obra segundo Karnal “... é uma metáfora do título expressa esta tese central: a América Latina é um corpo com as veias abertas, com seu sangue abastecendo “vampiros” da Europa e dos EUA. (in: Karnal, L.; As Veias Fechadas da América Latina, 01/12/2001, www.ceveh.com.br, Revista, SP, BRASIL (site atualmente desativado).
Para ele “o gosto por uma obra ou a rejeição de outras mostra muito da forma como uma sociedade age e pensa. Aquilo que é lido ou que não é lido mostra, com clareza, uma gramática da percepção e os valores de uma época.” (ibidem, p.3) Demonstrando assim que a obra representava a maneira de como os latino-americanos se enxergavam naquele momento histórico de repressão e suspensão das garantias individuais do cidadão em defesa do capitalismo norte americano, em plena Guerra Fria, e da maneira como o norte americano e o europeu nos concebiam.
Leandro Karnal nos mostra que a critica mais contundente ao livro de Galeano foi feita por Plínio Apuleyo Mendoza (et alt), na obra intitulada Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano. Sendo uma critica neoliberal e de estilo panfletária encontrou grande aceitação. Os autores não aceitavam a ideia de Galeano quando afirmava que a America Latina sempre tinha perdas em relação ao comércio internacional, para eles o comércio beneficia a todos, inclusive a organização do Nafta é citada como um exemplo favorável de beneficiamento mutuo. Segundo os autores de O Manual do Perfeito Idiota Latino-Americano “... seria tudo isto derivado de um “horror ao mercado” e a ignorância dos mecanismos de flutuação dos preços neste mesmo mercado. ”Leandro Karnal afirma que os autores do Manual afirmam que se um país souber aproveitar as oportunidades inteligentemente, serão beneficiados, citando os casos de Estados Unidos e Nova Zelândia. Enfim, Karnal simplifica as duas obras oponentes a partir das ideologias de Adam Smith e Marx, pois é uma luta visível entre as mesmas nos autores das duas obras: Veias Abertas da América latina e Manual do perfeito Idiota Latino-Americano.  E numa terceira critica, Karnal aponta o maniqueísmo de Galeano quando trata na obra, “... índios/espanhóis; ricos/pobres; latinos/anglo-saxões etc é uma das chaves do sucesso da obra.” (ibidem, p. 5).
De acordo com Leandro Karnal, este é o pior problema da obra de Galeano, pois faz uso o tempo todo, de uma retórica “... quanto a retórica é o único objetivo, temos problemas como o anteriormente citados e a submissão de toda a análise às frases bombásticas e às ideias de efeito. (ibidem, p. 7). Karnal acredita que ele utiliza este estilo a fim de comover o leitor para a exploração dada na construção histórica da América, desde sua colonização. Como se na história da América nunca tivesse havido lutas e organização dos “vencidos” contra os “vencedores”. Leandro Karnal finaliza o artigo declarando que tratar a história da América Latina desta forma esvazia as possibilidades de enxergar suas contradições cotidianas que impulsionam sua construção histórica e não  apenas dando ênfase às forças externas como responsáveis pela construção da mesma.
Apontaremos nesta análise, o capítulo 3 “Os americanos lutam por liberdade”, do livro didático Projeto Araribá: História / organizadora. Editora Moderna; obra coletiva concebida, desenvolvida e produzida pela Editora Moderna; editora responsável Maria Raquel Apolinário. – 2 ed – São Paulo: Moderna, 2007. O título e subtítulos clareiam a opção ideológica dos organizadores de mostrar que a independência da América foi conseguida graças a organização dos povos americanos, que submetidos a exploração colonial, participaram ativamente desse processo, analisa desde os levantes dos povos nativos liderados por Tupac Amaru, descendente inca que liderou uma das primeiras revoltas indigenistas do Peru.
Não inicia o estudo, como se vê em vários livros a partir da independência norte americana, mas ao contrário, inicia com os movimentos dos países do sul, passando para a America do Norte, atentando para o fato de Bolívar buscar uma unidade da América hispânica.
O livro desenvolve outro tema, cujo título México Livre, apoiado por imagens como o quadro de Juan O´Gorman(1961), em que se vê o padre Miguel Hidalgo como líder da independência mexicana. No mesmo capítulo,  analisa os processos de independência na América Central, evidenciando a participação da população, inclusive o papel de índios e escravos, que começavam a aproveitar o movimento de independência instalado para se revoltarem, fazendo assim a Elite proprietária tomar a liderança da independência em seu favor. Num boxe de leitura, pede-se que o aluno perceba a política intervencionista americana nesse processo. Os exercícios realçam este resgate das lutas populares no processo de independência latino-americano e da herança do período colonial: contrastes e desigualdades.
Para finalizar, o livro tem um apêndice de capitulo chamado “Em foco”, cujo título nos dá a dimensão da posição dos autores quanto à independência latina americana: Os indígenas na América independente, questionando-a, explicando os resultados da mesma para as populações indígenas – suas estratégias de resistência e a vitória da “civilização” (grifos dos autores) sobre as populações indígenas, vistas como bárbaras, apresenta também formas que os grupos indígenas latino-americanos encontraram para subsistir, como a organização de mercados para intercâmbio econômico entre eles, inclusive devido a isolação de sua população, conseguiu a façanha de manter-se incólumes à Revolução Industrial e os efeitos da globalização começa evidenciar devido a presença de artigos chineses e artigos de origem paraguaios.
Percebemos enfim, que a linha histórica seguida pelos autores do livro Projeto Araribá, evidencia mais a luta e resistência dos povos ameríndios, do que a submissão política ao branco ou ao capital.  Mostra que a independência não foi uma luta causada pelos ideais iluministas europeus, como vários livros assim o fazem, mas que a população indígena e líderes latino-americanos nativos são os responsáveis pela independência, e consequentemente pela construção histórica latino-americana, contrapondo assim a visão de Galeano, de que apenas as forças externas movimentam a história latino-americana. Enaltece a ação dos povos indígenas, que na visão de Galeano são os vencidos. No livro percebemos nitidamente a ideia de que os indígenas, mesmo sendo excluídos de participação política, resistiram e ainda resistem no processo histórico da América. O livro Projeto Araribá evidencia uma ideologia relacionada a este pensamento de Leandro Karnal: “... A análise da recepção desta obra mostrar como as ideias na América Latina ingressam mediante sua representação retórica e seu apelo. Não se trata de dizer,como se dizia outrora, que temos uma efetivação “imperfeita” das ideias europeias, como o Liberalismo, por exemplo, mas que apreendemos o Liberalismo de uma maneira distinta daquela que o gerou na Europa. Da mesma forma que o Socialismo Marxista, o Anarquismo, o Catolicismo e vários ismos, as populações da América Latina interagem de uma forma muito variada com estas matrizes teóricas clássicas, em parte pela tradição indígena de integração de legados culturais.” Notamos também que o livro Projeto Araribá destaca a participação das nações indígenas da América Latina no processo de independência, apesar de deixar claro que os mesmos foram excluídos. É preciso estar atentos para não incorrer neste erro conceitual feito por Galeano de mostrar os indígenas, como submetidos ao domínio externo, visão de vencidos. Como nos afirma Leandro Karnal, referindo-se a obra de Galeano, “... Por fim, há no livro toda uma ideia de um passado mais glorioso. O último parágrafo fala da “reconstrução da América Latina”. Esta reconstrução pressupõe que tenha existido um período construído, de prosperidade e maior justiça. Como não o foi o período colonial e o independente, só podemos estar diante de um elogio ao período indígena pré-colombiano. Este é um dado comum a vários analistas. Nenhuma contradição estrutural é atribuída ao período pré-colombiano. A imensa expansão imperial inca, o domínio da Federação encabeça por Tenochtitlán sobre A Mesoamerica e outros fenômenos não são destacados na sua violência, na exploração de povos conquistados mediante tributos ou na imposição cultural.”
A autora: Zilda Palloni Somense