Infância na Fazenda

Carrinho de caixas de fósforo
Bonecas de milho com seus cabelos ruivos e rosas
Pratinhos de caquinhos diversos
A prosa correndo na roda dos mais velhos

O paiol brincadeira favorita da molecada
Pular de saca em saca era a festa
Morcegos escondidos à espreita
Aranhas incomodadas achavam graça

O terreiro de café vazio lembrando os anos idos
Em que café era ouro na praça
Agora servia pra “quarar” roupas
Branquinhas ficavam nos varais coloridos

Os cavalos idosos que lá chegavam
Diziam lá ser sua ultima morada
Mortadela ou charque era seu destino
Nós sofríamos com esse desatino

Nas mangueiras centenárias subíamos depressa
Pulávamos de galho em galho atrás das saborosas:
Rosinhas, Bourbons, Manteigas e Espadas
Tinha à beça,  e nos gramados ficávamos todos lambuzados

Infância de grandes sonhos
De “bença”  pai, “bença” mãe
De juízo e respeito pelos “nonos”
Sabedoria de um mundo que não volta mais!

Zizi Palloni Somense






2 comentários:

  • Dilson Paiva | 27 de outubro de 2015 16:16

    Quase toda minha vida, vivi em cidade grande.
    Contudo, na minha infância, certa vez, passei
    6 meses na fazenda. Realmente, me senti transportado
    para aquele ambiente campestre e exuberante.
    Aflorando-me recordações memoráveis e deveras parecidas
    com a mensagem descrita neste belíssimo poema. Muito bom!
    Parabéns, pela sua arte e obrigado pela felicidade
    que ela me causou. Afetuoso abraço.

  • pensamento_e_reflexao | 28 de outubro de 2015 06:29

    Obrigada Dilson, uma crítica vinda de você pra mim é um elogio, caro mestre!