A ética do Jardim da Infância funciona?

Um vídeo postado no Youtube a semana que passou ( 14/03),  e outro postado nesta semana(21/03) sobre um garoto, Casey Heynes vítima de bullying em uma escola do Ensino Médio na Austrália, está causando muita polêmica. O primeiro vídeo sobre a ação de bullying e a reação de Casey, infelizmente de grande violência, frente há anos de insultos, ele afirma que sofre bullying desde pequeno. O segundo vídeo mostra uma entrevista de um jornal local, com o garoto , diante do sucesso do vídeo na Internet e a defesa de Casey pelos internautas, o garoto chamou atenção do mundo.  Neste segundo, o jovem afirma que  estava se sentindo solítário, pois todos os amigos o abandonaram e  todos os dias vinha sendo humilhado, chamado de gordo. Foram anos de humilhação. O garoto, inclusive, teve vontade de suicidar-se.  Ele afirma que se não fosse a irmã sempre colocá-lo "pra cima", ele não teria suportado. E num momento de desespero, ele reagiu da forma que se vê no vídeo ( jogando o agressor no chão, com toda a força),  pois estava cansando de não reagir. Sentiu que precisava dar um basta nisso tudo. O que quero discutir nessa história toda é justamente a nossa  reação diante dos vídeos, e principalmente nós, os profissionais da educação. Vamos por partes:  todos que assistiram ao vídeo, de forma unânime vibraram com a reação de Casey,  e inclusive  aprovam a retaliação ao menino agressor ( praticante do bulling) ,  aclamando-o como um herói. O ambiente de meu trabalho é uma escola e sei que esta situação de bullying também existe nos pátios. Quando ocorre na sala de aula, procuramos sempre alertar sobre o bullying, defendendo os direitos do aluno que esta sofrendo o bullying e corrigindo a atitude do agressor perante o colega e a classe. Mas nem sempre a situação acontece sob nosso olhar, como foi no caso de Casey, só descobrimos porque os amigos do agressor estavam filmando. E nem sempre temos uma abordagem correta, já que não somos psicólogos. O que utilizamos é o bom senso e a ética. Assisto todos os dias ações de bullying e percebo o quanto é negativo ao educando, muitas vezes seu aproveitamento não é satisfatório devido a baixa auto estima.  A escola é um retrato da sociedade, nela são reproduzidos vários discursos ideológicos, e por isso mesmo muitos alunos possuem preconceitos sobre etnia, cultura e religião que seja diferente da sua. O aluno do 6º ano em diante ( faixa etária que trabalho) se xinga, se agride moralmente uns aos outros e  são maldosos em seus comentários, apelidos e tratamento ao outro. Falta formação ética, desde o seio familiar à outras instituições que o aluno frequenta. Ferem a todo momento o direito às diferenças, a escola procura reverter esse quadro, porém tem sido ineficaz, pois esta se construindo fora dela uma cultura de desrespeito. Seja no som explosivo dos carros na rua, nas ações de muitos políticos do país, nos altos falantes dos ambulantes na rua, na falta de respeito ao lugar de idoso no ônibus, e no estacionamento reservado à estes na rua, nos carros em filas duplas próximas às escolas particulares, no desrespeito à fé do outro, no desrespeito às diversidades de várias nuances da vida social. Acredito que se pretendemos evitar ações como a dos personagens do vídeo australiano, devemos começar com as regras básicas aprendidas no jardim da infância, como: desejar ao próximo bom dia, com licença, obrigado, por favor, orar às refeições, abraçar ou dar as mãos, independente de cor, sexo e religião. Enfim, esta é uma ética muito simples de ser seguida. O que nos impede de segui-la?

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Postarei um novo vídeo, pois a história de Casey tendo corrido na Internet, provocou reação da Imprensa Australiana e vejam a entrevista com o Garoto que provocou o bullyng contra Casey e tirem suas conclusões!


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